Você está aqui: Página Inicial Revista ACONSEG-SP Ano I - Número 1 - Maio/Junho de 2008 Eventos Microsseguro: a coqueluche do mercado

Microsseguro: a coqueluche do mercado

Ao corretor cabe a missão de aculturar as pessoas na base da pirâmide social de forma que se tornem futuros consumidores de seguros

Ao corretor cabe a missão de aculturar as pessoas na base da pirâmide social de forma que se tornem futuros consumidores de seguros

O mercado de seguros encampou a discussão de como o microsseguro pode ser desenvolvido no país e seus ganhos para a população e setor. Ao pensar qual seria o papel dos corretores nesse cenário, a Aconseg-SP apoiou o evento promovido, em maio, pela Câmara de Corretores de Seguros do Estado de São Paulo.

De todas as definições existentes para o microsseguro, José Luiz Valente Motta, consultor e um dos executivos que tem se dedicado a estudar o tema, acredita que seja mais adequado enquadrá-lo a ‘uma possibilidade de diminuir as vulnerabilidades financeiras frente a riscos decorrentes de eventos de qualquer natureza que leve a perdas relevantes’. “Vale reforçar que o microsseguro não é filantropia, mas sim um instrumento de inclusão social”, diz Valente, que já visitou países como China, Índia, Coréia, Japão e Hong Kong para conhecer essa modalidade de seguros.

A essência do microsseguro está no fato de oferecer a proteção para as classes E e D, formada por pessoas que vivem em ambientes críticos, seja na periferia ou campo. “Temos um grande mercado emergente, que é uma oportunidade de novos negócios. No entanto, vale lembrar que preço baixo não significa produto para essas pessoas. O microsseguro implica na criação de produtos específicos, na adequação de clausulados, definição de prêmios, distribuição e comercialização”.

A afirmação de Valente está embasada no fundamento de que a distribuição da pirâmide social no Brasil aponta que 15% da população, 28 milhões de pessoas, têm renda familiar média de R$ 2.217,00; 46%, 86 milhões, renda de R$ 1.062,00; e 39%, 73 milhões, com renda até R$ 580,00. Em 2005, a classe A – B que representava 15% da população, no ano seguinte subiu para 18% e, em 2008, caiu para 15,8%. Já a classe C, que representava 32% em 2005 passou a 45% em 2007. “Isso demonstra a rapidez e a diminuição das classes D e E e o fato das pessoas saírem da zona máxima de pobreza e o avanço da classe C”, ressalta.

O objetivo maior do microsseguro é criar a cultura do seguro nessa base estimada em, no mínimo, 100 milhões de pessoas de forma que, na medida em que forem subindo o patamar social, tornem-se potenciais consumidores de outras modalidades de seguros. “A participação do corretor tradicional de seguros está resumida a se juntar a empresas que possuem forma de venda massificada e a líderes de comunidades ou sindicatos como o de camelôs, por exemplo, e orientá-los para a comercialização do seguro. Com esse trabalho, na medida em que as pessoas tiverem mais poder aquisitivo saberão que há produtos que podem dar continuidade aos bens mais caros que elas podem adquirir”, explica o consultor, para quem a grande missão do corretor será ajudar na criação do corretor de microsseguro.

Dessa forma, segundo Valente, o mercado dobrará a participação no PIB em cinco anos, que atualmente está em 3,5%. “Tudo o que os corretores precisam é expandir o trabalho que ele já faz como forma de proteção, assistência e responsabilidade social para toda a comunidade”.

Ações do documento